domingo, 22 de agosto de 2010

De meus anjos e demônios

[por Mario Quintana]

DAS UTOPIAS
"Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!"
_________________________________________________________________________________


[por Soriedem R. Belga Mota]
Talvez, só talvez, meu encatamento pelas estrelas
tenha relação com infinitude de seu distanciamento.
Talvez, eu tenha intuitivamente traçado determinadas escolhas
(ou pelo menos assim acredite) porque fossem as que me exigissem
maiores sacrifícios.
Talvez, eu tenha optado por caminhos
mais pedregosos, não por levarem a destinos paradisíacos,
mas especialmente por essa necessidade ardente de
me por a prova, de testar e perpassar meus limites.

Talvez, por isso tudo isso eu sofra e sangre sempre um pouco mais.

Isso nada tem a ver com gostar daquilo de machuca.
Não!
Definitivamente não é isso.
O fato é que gosto daquilo que me faz sentir mais viva,
que faz meu sangue pulsar com mais energia,
que faz minha cabeça desvairar em idéias estratégicas,
que me desafie,
que me provoque,
que me pareça impossível...

Ah! E que prazer inexplicável
me causa essa tal idéia da impossibilidade.

 Sim, sim, sim.
Admito, sem fingidas culpas ou vergonhas,
que nutro um desejo selvagem e desmedido por
tudo que se apresenta a mim como um "NÃO".
 Chamem de vaidade,
chamem de orgulho...
chamem como bem quiser
(dane-se se de nada chamarem também,
que me interesso bem mais pelo conteúdo
que pelos rótulos rotos).

Sei o que se passa em mim,
sei da violência com que isso me instiga a perserverar.
E seja o que for (e como for) esse sentimento, força, desejo;
eu lhe atribuo a culpa de algumas lágrimas de amargura,
mas, sem dúvidas, é dessa Coisa também todo o crédito
de meus mais fortuitos e gloriosos dias já vividos.


domingo, 15 de agosto de 2010

Felicidade Realista

[por Mario Quintana]

"A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor,
o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos
são ainda mais complexos.
Não basta que a gente esteja sem febre:
queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis.
Dinheiro?
Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema:
queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.
E quanto ao amor?
Ah, o amor...
Não basta termos alguém com quem podemos conversar,
dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando.
Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo.
Queremos estar visceralmente apaixonados,
queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados,
queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo,
queremos sexo selvagem e diário,
queremos ser felizes assim e não de outro jeito.
É o que dá ver tanta televisão.
Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes
de uma forma mais realista.
Ter um parceiro constante pode ou não,
ser sinônimo de felicidade.
Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais,
feliz com um parceiro, feliz sem nenhum.
Não existe amor minúsculo,
principalmente quando se trata de amor-próprio.
Dinheiro é uma benção.
Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo.
Não perder tempo juntando, juntando, juntando.
Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado.
E se a gente tem pouco,
é com este pouco que vai tentar segurar a onda,
buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor,
um pouco de fé e um pouco de criatividade.
Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível
e aceitar o improvável.
Fazer exercícios sem almejar passarelas,
trabalhar sem almejar o estrelato,
amar sem almejar o eterno.
Olhe para o relógio: hora de acordar.
É importante pensar-se ao extremo,
buscar lá dentro o que nos mobiliza,
instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente.
A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites
é quem leva o prêmio.
Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade.
Se a meta está alta demais, reduza-a.
Se você não está de acordo com as regras, demita-se.
Invente seu próprio jogo.
Faça o que for necessário para ser feliz.
Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples,
você pode encontrá-la e deixá-la ir embora
por não perceber sua simplicidade.
Ela transmite paz e não sentimentos fortes,
que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração.
Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade."


[por Caio Fernando Abreu]


"É difícil me iludir,
porque não costumo esperar muito de ninguém.
Odeio dois beijinhos, aperto de mão, tumulto,
calor, gente burra e quem não sabe mentir direito.
Não puxo saco de ninguém,
detesto que puxem meu saco também.
Não faço amizades por conveniência,
não sei rir se não estou achando graça."