[por Mario Quintana]
DAS UTOPIAS
"Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!"
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[por Soriedem R. Belga Mota]
Talvez, só talvez, meu encatamento pelas estrelastenha relação com infinitude de seu distanciamento.
Talvez, eu tenha intuitivamente traçado determinadas escolhas
(ou pelo menos assim acredite) porque fossem as que me exigissem
maiores sacrifícios.
Talvez, eu tenha optado por caminhos
mais pedregosos, não por levarem a destinos paradisíacos,
mas especialmente por essa necessidade ardente de
me por a prova, de testar e perpassar meus limites.
Talvez, por isso tudo isso eu sofra e sangre sempre um pouco mais.
Isso nada tem a ver com gostar daquilo de machuca.
Não!
Definitivamente não é isso.
O fato é que gosto daquilo que me faz sentir mais viva,
que faz meu sangue pulsar com mais energia,
que faz minha cabeça desvairar em idéias estratégicas,
que me desafie,
que me provoque,
que me pareça impossível...
Ah! E que prazer inexplicável
me causa essa tal idéia da impossibilidade.
Sim, sim, sim.
Admito, sem fingidas culpas ou vergonhas,
que nutro um desejo selvagem e desmedido por
tudo que se apresenta a mim como um "NÃO".
Chamem de vaidade,
chamem de orgulho...
chamem como bem quiser
(dane-se se de nada chamarem também,
que me interesso bem mais pelo conteúdo
que pelos rótulos rotos).
Sei o que se passa em mim,
sei da violência com que isso me instiga a perserverar.
E seja o que for (e como for) esse sentimento, força, desejo;
eu lhe atribuo a culpa de algumas lágrimas de amargura,
mas, sem dúvidas, é dessa Coisa também todo o crédito
de meus mais fortuitos e gloriosos dias já vividos.
