domingo, 20 de março de 2011

Ana de Baskerville




Prezado Lawliet,
Confesso-lhe, com honestidade, minha grande igorância.
Sou ignorante e sem expectativas.
Nem mesmo creio que eu possa um dia entender essas 
coisas 
de coração.


A verdade é que, se eu tivesse a mais remota idéia de como 

sossegar essas chagas que consomem os espíritos sensíveis, 
já teria esgotado todas as tentativas em meu próprio benefício.

Meu Caro,
que posso fazer se essas doenças da alma, crônicas e inexoráveis, 
estão muito além de minha rasteira capacidade de apreensão 
sobre a complexidade humanóide?


Lamento.
Não lhe tenho respostas ou conselhos;
apenas, outras indagações:
O que devo fazer quando a trilha sonora de minha vida
é invariavelmente uma marcha romana à Palo Seco?


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Em resposta à:


Querida médica, 
estou vomitando e poetivamente sentindo 
que vou 
morrer de tando beber etanol, o belo.

O que devo fazer? 
Refugiar-me naquele que, segundo Cazuza, 
é a igreja de todos os bêbados, o banheiro, 
ou continuar me envenenando com essa coisa 
carbonífera oxígeno hidrogênica e sendo feliz?

Pergunto: vc também tem a sensação de que está cercada 
de idiotas e sobreviver significa 
conseguir arranjar um jeito 


de não ser mais uma imbecil?

Ps. tenho 30. 
Convivi com homens analfabetos 
que não sabiam dar nó num cadarço e 
doutores em física estatística e, 
pois é, não vi diferença entre esses tipos.
Pss. meus exemplos são literais.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Dia das flores

Néscia e cruel habilidade esta que me fora concedida. 
Assim como na impiedosa maldição de Midas, 
o talento será sempre fardo culposo
de minha constante companheira, a solidão.