domingo, 28 de outubro de 2012

ODEIO POLÍTICA(GEM)

  

                                                                                                                                  [por Soriedem R. Belga Mota]
Quando criança eu costumava alardear:
ODEIO POLÍTICA E NUNCA VOU ME METER COM ISSO.

Mas somente porque eu entendia o significado de "POLÍTICA" que costumeiramente vemos e vivenciamos e que, saliente-se, não é POLÍTICA.

Porque essa tal, que trivialmente ouvimos as pessoas discutindo, pode ser fanatismo, coronelismo, politicagem, joguetes de poder, defesa de escusos interesses próprios, manipulação midiática. Pode ser tudo isso, mas dificilmente ouvimos sobre POLÍTICA ou POLÍTICAS de fato, especialmente em época de eleição.

Isso sempre me causou um qualquer coisa parecido com embrulho no estômago e hoje a sensação não é muito diferente.
Nas ruas as pessoas papagaiam alucinadas e entorpecidas frases feitas bem vendida$, vestidas em suas ridículas fantasias coloridas, exibindo números estampados em suas testas como boi ferrado por seus donos e eu tento a muito custo entender o porquê dessa insanidade coletiva.

Daqui a pouco vou sair p votar também no número que só interessa a mim a urna eletrônica saber, com o cuidado de vestir uma roupa neutra, esboçando um sorriso de aprovação para cada um dos partidaristas extremistas que encontrar pelo caminho que, nesses tempos de Pão e Circo, temo pelos gladiadores concentrados nas arenas, digo, nos locais de votação.

Sei bem de minha escolha, mas independentemente dela, ficarei na torcida para que ganhe o(a) candidato(a) mais bem preparado para o cargo e nutrirei a esperança de que ele(a) lembre que muitas pessoas depositaram suas esperanças na possibilidade de uma gestão responsável.

Tá, vai... pode me chamar de inocente, mas é que eu tenho ainda comigo algumas esperanças de criança que o tempo não conseguiu destruir; um misto de John Lennon e Mahatma Gandhi que me faz pensar que um dia talvez, quem sabe, o mundo possa ser um lugar um tantinho menos hostil.

domingo, 21 de outubro de 2012

Azul

                                                                                 [por Soriedem R. Belga Mota]

Saudades de tantos momentos,
tantas pessoas e lugares,
tantas vozes e expressões,
tantas lágrimas e sorrisos,
tantas cores e sabores...

e no fim, a certeza de que esse nó na garganta
é a prova de que viver é uma delícia
e saudade é coisa boa afinal.



quinta-feira, 18 de outubro de 2012

MEU 18 DE OUTUBRO


                                                               [por Soriedem R. Belga Mota]



Hoje eu senti aquela dor que médicos não curam e
poucos são aqueles que consolam.

Pra mim, hoje foi o dia da doença;
da pior doença do mundo.

Pra mim, hoje foi o dia da miséria.
Hoje foi o dia de comemorar a miséria das 
nossas 
gestantes que acham que "parir" é coisa de pobre;
a miséria da sociedade que acha chique fazer cirurgia desnecessária; 
a miséria do povo que pensa que bem nutrido é o 
recém nascido que toma leite Ninho;
a miséria do nosso sistema de saúde ainda tão 
hospitalocêntrico remediocêntrico; 
a miséria da educação médica que insiste em ver saúde coletiva 
como postinho ou PSFzinho;
a miséria de nós como estudantes, que assistimos conformados 

ao descaso de alguns "doutores" e reproduzimos mais miséria.

Infelizmente é possível que jamais encontremos a cura para essa 

pandemia, mas apelo hoje aos atuais e futuros médicos que não 
se esqueçam que medicina é enfrentar todo dia uma batalha pela vida, 
mesmo sabendo que jamais venceremos a guerra.

In Memoriam a Bia
+ (17/10/2012)