[por Soriedem R. Belga Mota]
Quando criança eu costumava alardear:
ODEIO POLÍTICA E NUNCA VOU ME METER COM ISSO.
Mas somente porque eu entendia o significado de "POLÍTICA" que costumeiramente vemos e vivenciamos e que, saliente-se, não é POLÍTICA.
Porque essa tal, que trivialmente ouvimos as pessoas discutindo, pode ser fanatismo, coronelismo, politicagem, joguetes de poder, defesa de escusos interesses próprios, manipulação midiática. Pode ser tudo isso, mas dificilmente ouvimos sobre POLÍTICA ou POLÍTICAS de fato, especialmente em época de eleição.
Isso sempre me causou um qualquer coisa parecido com embrulho no estômago e hoje a sensação não é muito diferente.
Nas ruas as pessoas papagaiam alucinadas e entorpecidas frases feitas bem vendida$, vestidas em suas ridículas fantasias coloridas, exibindo números estampados em suas testas como boi ferrado por seus donos e eu tento a muito custo entender o porquê dessa insanidade coletiva.
Daqui a pouco vou sair p votar também no número que só interessa a mim a urna eletrônica saber, com o cuidado de vestir uma roupa neutra, esboçando um sorriso de aprovação para cada um dos partidaristas extremistas que encontrar pelo caminho que, nesses tempos de Pão e Circo, temo pelos gladiadores concentrados nas arenas, digo, nos locais de votação.
Sei bem de minha escolha, mas independentemente dela, ficarei na torcida para que ganhe o(a) candidato(a) mais bem preparado para o cargo e nutrirei a esperança de que ele(a) lembre que muitas pessoas depositaram suas esperanças na possibilidade de uma gestão responsável.
Tá, vai... pode me chamar de inocente, mas é que eu tenho ainda comigo algumas esperanças de criança que o tempo não conseguiu destruir; um misto de John Lennon e Mahatma Gandhi que me faz pensar que um dia talvez, quem sabe, o mundo possa ser um lugar um tantinho menos hostil.