sábado, 14 de setembro de 2013

Sem fim

[por Soriedem R. Belga Mota]


Talvez tenha sido esse restinho de doença recém (e mal) curada, 
de garganta arranhando e essa velha dor nas costas a me revisitar. 
Talvez seja culpa também desse clima preguiçoso, de sol escondido
junto ao gosto de pequenas expectativas frustradas.
A overdose de Jazz não foi boa ideia. 
Sei lá.
O caso é que hoje a tristeza apertou; a garganta além de arranhar 
se fez em nó e as lembranças que a contragosto se abancaram foram
as dos tantos adeus dados antes da hora.
Ahh... quando inventarão um remédio pra saudade?




sábado, 20 de julho de 2013

20 de julho

 [por Soriedem R. Belga Mota]

É o 201º dia do ano no calendário gregoriano.
Foi o dia em que nave Apollo 11 pousou na Lua. 
Dia em que Neil Armstrong e Edwin Aldrin tornaram-se 
os primeiros humanos a caminhar na superfície do satélite.
Dia em que no Brasil se comemora o amigo/as amizades.

20 de julho, para mim, é e será,
a partir de hoje, o meu grande dia também.
Dia dos meus grandes amigos,
dos meus maiores incentivadores,
meus alicerces, meus ombros,
meus escudos, meus refúgios.

20 de julho não é, nem será, apenas o dia de uma festa
belíssima, mas sim o dia da celebração de um sonho
há muito sonhado, há longos anos acalentados,
há seis anos batalhados e que agora está apenas
por começar.

20 de julho será, para mim, como pisar na superfície
de um satélite maravilhoso, que eu ainda em criança
vislumbrava de longe e pensava intangível.

20 de julho será o meu dia agradecer,
de celebrar, de sorrir e chorar por e
ao lado de todos aqueles que me permitiram
chegar até aqui.

20 de julho será ainda o dia da minha nova promessa:
A de que o exercício dessa profissão será para sempre
com o que de melhor eu for capaz e com toda honra,
humildade e amor que cabem neste ser.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Culto ao Cadáver Desconhecido

 [por Soriedem R. Belga Mota]

Curiosa a esquizofrenia do relógio da vida.
Um dia custa uma eternidade angustiante 
em suas cruéis 24 horas quando se espera por uma resposta. 
Aquele resultado que definirá se você passou no vestibular de medicina da UFCG, 

o aviso do voo que determinará se se seus pais chegarão a tempo para uma das 
solenidades da formatura, resultado do exame de gravidez, com o qual muitas aqui 
sonharão em alguns anos ou o resultado do exame que dirá se o câncer da "Gansa" 
regrediu completamente, se haverá mais tempo.
(E para nossa mais completa alegria, o compositor da  "dança da calvaria e do maléolo 

medial" estará conosco por muito tempo).
Curioso como o tempo é vagaroso.

Curioso como o infindável e agoniante tempo dessa espera em nada se assemelha 

com a frenética velocidade dos dias de sol, música, lágrimas e reencontros das férias, 
ou melhor, dos mini recessos da faculdade.
Tempo que corre ligeiro, tempo que se esvai entre os dedos como grãos de areia.
É o relógio de bolso do coelho da Alice.
"É tarde, é tarde", ele corre, "Já é muito tarde".
Curioso como o tempo é apressado.

Curioso como a vida vai findando.
Mas já?
Passou tão brevemente.
Quatro ou cinco décadas é rápido demais para se conhecer 

todos os sabores e os dissabores de viver.
Não era tempo de partir ainda. Ou não deveria ser.

Mas a nós aqui não cabe decidir sobre o Tempo.
Nem mesmo sobre o nosso próprio tempo temos controle.
A única opinião que vale é a do Senhor do Tempo.
Somente Ele, o poderoso Tecelão do Tapete da Vida,
é capaz de segurar a tesoura que corta os fios coloridos recém ajuntados 

na trama da existência.
E Ele pode cortar onde, como ou quando quiser.
Pois arbitrária e curiosamente, para Ele, os primeiros
segundos logo depois de nascer já é tempo suficiente para morrer.

Para nós, então, o que cabe ser feito?
Aproveitar cada novo fio que nos for presenteado.
E deles cuidar, sabendo o qual frágeis, valiosos e únicos são.

Para finalizar deixo um trecho do livro
O Futuro da Humanidade:

"Um dia todos nós vamos para a solidão de um túmulo.
Uma criança de um dia de vida já é suficientemente velha para morrer.
A morte é (parece ser) a derrota da Medicina.
Todavia, apesar das limitações da ciência, devemos usar todas as nossas habilidades 
não apenas 
para prolongar a vida, mas para fazer dessa breve existência uma experiência inesquecível.
Os médicos devem ser pessoas de rara sensibilidade, artesãos das emoções, 
profissionais capazes de enxergar as angústias, as ansiedades e as lágrimas por trás dos sintomas. 
Caso contrário, tratarão de órgãos e não de seres humanos.
Acima de tudo, os médicos, bem como todos os profissionais que cuidam da saúde, 

devem ser vendedores de sonhos. Pois, se conseguirmos fazer nossos pacientes sonharem 
ainda que seja com mais um dia de vida ou com uma nova maneira de ver suas perdas, 
teremos encontrado um tesouro que reis não conquistaram"

sábado, 15 de junho de 2013

Apesar de você

   

                                      

 [por Soriedem R. Belga Mota]


A resposta é voar.
Voar mesmo quando o vento é frio e cortante,
mesmo com uma das asas machucadas,
mesmo que o céu esteja fechado e amedrontador. 

Porque quando aquele que deveria ser seu porto seguro

é na verdade a ilha de suas maiores e mais mordazes tormentas, 
deve-se aceitar que é tempo de seguir em frente. 
Deve-se aceitar que é tempo de alçar voo, para qualquer lugar, 
e encontrar um pouso onde se possa, enfim, descansar. 








“Depois que cansei de procurar aprendi a encontrar.
Depois que um vento me opôs resistência,
velejo com todos os ventos.”
                                                                                                              [Friedrich Nietzsche]


sábado, 4 de maio de 2013

João e Maria

                                                                                                                                               [por Soriedem R. Belga Mota]

o que fazer quando Chico me sopra insistentes insinuações ao ouvido?
o que fazer quando o cheiro da chuva e as cores das uvas me denunciam?
o que fazer quando as pulsões e as reprimendas declaram guerra aos pensamentos
e se alternam em mordazes investidas entre o feitiço dos sonhos e o ranço da realidade? 
quando a vontade engana o tempo e rouba as horas?
quando os sentidos são hipnotizados e ego, embriagado?

ah e o que hei de fazer quando já nem mesmo posso buscar o perdão da Igreja amiga,
explicar os motivos e acalmar essas tormentas?

o que fazer quando não há o que fazer, a quem recorrer ou onde se esconder?
fujo então ao reino do Francisco Holandês e galopando em seu falante corcel
deixo secar ao vento as lágrimas não contidas.
e eis que meu amigo estrangeiro se põe a me questionar:


- why are you crying, my child? Why?
- because i'm tired, because i'm afraid and
cause i don't know how to shut up the voice of 
my racing heart and my confused mind. 
that's my Reason. cause that's who i am. 





"And the more I think that, I can't go through life saying that this is no big deal. 
I mean, this is it! This is actually happening. 
What do you think is interesting, what do you think is funny, what do you think is important? 
You know, every day is our last."

[Before Sunset]