[por Soriedem R. Belga Mota]
Admito que sou um ser causa mal estar.
Admito que me importo menos que o "normal" com isso.
Admito que, ainda que não queira, ainda me importo,
embora menos que o "normal", com o Inferno de Sartre.
Não importa o quanto eu negue, não há como escapar Dele.
Admito que sou ciente da estranhezas dessas repetições
e da viciosa metalinguaguem (com pitadinhas não menos
estranhogistas de neologezas)
Mas se (e/ou quando) causo desafetos é porque sou
consciente de meu desajuste e não o reprimo
(nem mesmo me esforço) ao cumprir a obrigação
de fazer parte do mosaico incongruente da coisa
humanóide amorfa (que se quer passar por obra de arte,
vejam só quanto egocentrismo desses macacos engravatados)
que não é (e nunca foi) coletivo, mas só um bando de
peças solitárias ajuntadas no mesmo círculo.
Não sou um monstro.
Tenho sim sentimentos; até nobres se querem saber.
Mas não os vendo, não os forjo.
Aaaaaa que saco isso de ser sempre sorrisos e
agradablidilade de supermercado (alias, mercado
é POP, falemos de Shopping Centers;
soo much more cool.)
Hunf... Sempre, sempre, sempre mais do mesmo,
caros tolos, meus iguais, parceiros legionários.
Não sou muita coisa, mas sei o quanto sou.
E sou bastate orgulhosa.
E grito bastante alto meu orgulho e auto-apreço.
Sem vergonhas, oh, please, sem malícias também, ok?!
Odeio humanóides hipócritas e fracos.
Odeio humanóides que não assumem sua dor, sua ira, seu amor.
Odeio humanóides normais, iguais, superficiais.
Odeio previsibilidade/passividade/homogeneidade.
Odeio a vida ensaiada e os discursos corretos.
Odeio aqueles que não apreendem se eu falo além do rasteiro.
Odeio aqueles que me pedem para não falar, para apenas imitar.
Odeio o não pensar.
Odeio quem tem medo de odiar.
Odeio os humanóides.
Amo os humanos.
[Obra de Luís Duro, Hipocrisia da Fome]