segunda-feira, 31 de maio de 2010

Humanocêntricos

[por Soriedem R. Belga Mota]


Admito que sou um ser causa mal estar.
Admito que me importo menos que o "normal" com isso.
Admito que, ainda que não queira, ainda me importo, 
embora menos que o "normal", com o Inferno de Sartre. 
Não importa o quanto eu negue, não há como escapar Dele.
Admito que sou ciente da estranhezas dessas repetições
e da viciosa metalinguaguem (com pitadinhas não menos 
estranhogistas de neologezas)  


Mas se (e/ou quando) causo desafetos é porque sou 
consciente de meu desajuste e não o reprimo 
(nem mesmo me esforço) ao cumprir a obrigação 
de fazer parte do mosaico incongruente da coisa 
humanóide amorfa (que se quer passar por obra de arte,
vejam só quanto egocentrismo desses macacos engravatados)
que não é (e nunca foi) coletivo, mas só um bando de 
peças solitárias ajuntadas no mesmo círculo.


Não sou um monstro.
Tenho sim sentimentos; até nobres se querem saber.
Mas não os vendo, não os forjo.
Aaaaaa que saco isso de ser sempre sorrisos e 
agradablidilade de supermercado (alias, mercado
é POP, falemos de Shopping Centers; 
soo much more cool.)
Hunf... Sempre, sempre, sempre mais do mesmo,
caros tolos, meus iguais, parceiros legionários.


Não sou muita coisa, mas sei o quanto sou.
E sou bastate orgulhosa. 
E grito bastante alto meu orgulho e auto-apreço. 
Sem vergonhas, oh, please, sem malícias também, ok?!


Odeio humanóides hipócritas e fracos.
Odeio humanóides que não assumem sua dor, sua ira, seu amor.
Odeio humanóides normais, iguais, superficiais.
Odeio previsibilidade/passividade/homogeneidade.
Odeio a vida ensaiada e os discursos corretos.
Odeio aqueles que não apreendem se eu falo além do rasteiro.
Odeio aqueles que me pedem para não falar, para apenas imitar.
Odeio o não pensar.
Odeio quem tem medo de odiar.
Odeio os humanóides.
Amo os humanos.


[Obra de Luís Duro, Hipocrisia da Fome]

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