quinta-feira, 20 de maio de 2010

Ainda não há nada de verdadeiramente meu, mas como já questionavam os legionários:
"quais as palavras que nunca são ditas? "




Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. 
A mim 
não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e
agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, 
só sendo louco.
Quero os santos, para que
não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela
alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim:
metade bobeira, metade seriedade
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, 

mas lutam para que a fantasia não desapareça. 
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; 

e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, 

nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.
[por Oscar Wilde]

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