sexta-feira, 26 de novembro de 2010

F.C.

[por Littie Cowman] 

 "A provação vem, 
não só para testar o nosso valor,
mas para aumentá-lo;
o carvalho não é apenas testado,
mas enrijecido pelas tempestades."



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[por Soriedem R. Belga Mota]


à Fortaleza de seu Cerne,

Não vou falar sobre coisas bonitinhas, dizer que dará tudo certo,
que não surgirão dúvidas/angústias, que você ficará sempre bem/feliz.
Não falo apenas do curso, mas dele também.
Haverá uma infinitude de desafios, problemas, decepções,
injustiças, desafetos e... acalme-se!
Exatamente. Acalme-se!
Tranquilize-se.
Serenidade é um excelente escudo em tempos de guerras iminentes.

É também verdade, acredite-me; que nem só de flores,
mas tampouco só de espinhos são feitos os nossos caminhos.
Há mta sabedoria, crescimento pessoal, alegrias e (prazeres outros
tantos) reservados p/quem continua, p/quem simplesmente continua e continua.

Porque a questão não é tanto com que velocidade ou em que
posição você cruzará a linha de chegada, mas de que forma
você lutará para vencer cada obstáculo durante o percurso.

Sei que não há nada de muito científico no que vou dizer,
mas acredito que somos o resultado de mil variáveis.
Um mosaico de possibilidades, por assim dizer, e os "nomes"
dão sua contribuição, interferindo de alguma forma, nesse
resultado improvável que vai constituindo cada ser humano.

Sim, o nome.
Você, um revolucionário imperador, foi marcado por nomes
carregados de batalhas; das quais não foge.
Sei disso porque vejo tempestades em seus olhos.

Por fim, quero apenas que não se esqueça disto:
Somar forças ao entrar em batalhas pode até não
assegurar a vitória, mas certamente aumentará
muito as suas chances.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Não ser

[por Soriedem R. Belga Mota]



Interessante como aquilo que alguém nos julga é, 
quase sempre, exatamente aquilo que não somos.
Já ouvi muitas vezes elogios a minha fortaleza emocional.
Mas ao que se referem?!
Ah, meus caros anjos negros, vós sabeis o quão
frágil é este espírito;
vós, companheiros únicos de meus dias pesados,
testemunhais toda minha angustia.

Não.
Nada há de admirável em minha caixa de Pandora sentimental.
Sou apenas uma criatura pequena que sofre, e muito!
Às vezes, a vida me dói tão intensamente que o agudo
lancinar dessa sensação me entorpece.
Sou ejetada para fora dos limites dessa caixa.
Fico à margem, observando tudo a distancia,
no vazio desse frasco orgânico saturado de conflitos.

Dói-me mortalmente a fome do mundo e não ter o
alimento suficiente e necessário para saná-la.
Dói-me a infância roubada das meninas sequeladas
pela exploração de corpos nunca desenvolvidos.

Dói-me a violência gratuita.
Dói-me a maldade por prazer.
Dói-me o cinismo das amizades de Grife. 
Dói-me a superficialidade da produção em massa e
da leviandade com que a chamam de arte.

É ridículo!
Será mesmo que não enxergam?
Arte não faz sucesso!
Não que não mereça, simplesmente não é possível,
porque arte é intimista, profunda e complexa demais
para ser apreendida por muitos.
Que dirá, então, ser apreciada?

Ah!
Dói-me muito.
Dói-me toda a pequenez do não pensar.
Dói-me o comportamento sem cor, cheiro e sons autênticos.
Dói-me a alegria empacotada nas prateleiras do Wal-Mart.
Dói-me a incompreensão, a hipocrisia e o desprezo.
Dói-me a mediocridade de nossas ações diárias.

E tudo isso, meu caro, o que me dói mais profundamente é
não ver sequer um pequeno incômodo, revolta, uma objeção,
uma contrariedadezinha que seja a me fazer companhia
na maioria dos semblantes daqueles, que para piorar, se
dizem tão humanos quanto eu.

Então me responda agora:
Onde mora minha fortaleza interior?!
Do que propriamente alguém poderia sentir de legitimo
orgulho em meu ser, se tudo que tenho são pedaços em
franco desfalecer de uma alma castigada e de um coração
tolamente crédulo e maltratado na história de sua
jornada terrena?


“É que a dor às vezes é tão forte, 
que tenho medo de deixá-la sofrer em público”

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

[por Soriedem R. Belga Mota]

"E no fim, o dilema:
Deixar-se abater
ou continuar lutando contra o oponente invencível?
É uma decisão ingrata."

domingo, 22 de agosto de 2010

De meus anjos e demônios

[por Mario Quintana]

DAS UTOPIAS
"Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!"
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[por Soriedem R. Belga Mota]
Talvez, só talvez, meu encatamento pelas estrelas
tenha relação com infinitude de seu distanciamento.
Talvez, eu tenha intuitivamente traçado determinadas escolhas
(ou pelo menos assim acredite) porque fossem as que me exigissem
maiores sacrifícios.
Talvez, eu tenha optado por caminhos
mais pedregosos, não por levarem a destinos paradisíacos,
mas especialmente por essa necessidade ardente de
me por a prova, de testar e perpassar meus limites.

Talvez, por isso tudo isso eu sofra e sangre sempre um pouco mais.

Isso nada tem a ver com gostar daquilo de machuca.
Não!
Definitivamente não é isso.
O fato é que gosto daquilo que me faz sentir mais viva,
que faz meu sangue pulsar com mais energia,
que faz minha cabeça desvairar em idéias estratégicas,
que me desafie,
que me provoque,
que me pareça impossível...

Ah! E que prazer inexplicável
me causa essa tal idéia da impossibilidade.

 Sim, sim, sim.
Admito, sem fingidas culpas ou vergonhas,
que nutro um desejo selvagem e desmedido por
tudo que se apresenta a mim como um "NÃO".
 Chamem de vaidade,
chamem de orgulho...
chamem como bem quiser
(dane-se se de nada chamarem também,
que me interesso bem mais pelo conteúdo
que pelos rótulos rotos).

Sei o que se passa em mim,
sei da violência com que isso me instiga a perserverar.
E seja o que for (e como for) esse sentimento, força, desejo;
eu lhe atribuo a culpa de algumas lágrimas de amargura,
mas, sem dúvidas, é dessa Coisa também todo o crédito
de meus mais fortuitos e gloriosos dias já vividos.


domingo, 15 de agosto de 2010

Felicidade Realista

[por Mario Quintana]

"A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor,
o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos
são ainda mais complexos.
Não basta que a gente esteja sem febre:
queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis.
Dinheiro?
Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema:
queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.
E quanto ao amor?
Ah, o amor...
Não basta termos alguém com quem podemos conversar,
dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando.
Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo.
Queremos estar visceralmente apaixonados,
queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados,
queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo,
queremos sexo selvagem e diário,
queremos ser felizes assim e não de outro jeito.
É o que dá ver tanta televisão.
Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes
de uma forma mais realista.
Ter um parceiro constante pode ou não,
ser sinônimo de felicidade.
Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais,
feliz com um parceiro, feliz sem nenhum.
Não existe amor minúsculo,
principalmente quando se trata de amor-próprio.
Dinheiro é uma benção.
Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo.
Não perder tempo juntando, juntando, juntando.
Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado.
E se a gente tem pouco,
é com este pouco que vai tentar segurar a onda,
buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor,
um pouco de fé e um pouco de criatividade.
Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível
e aceitar o improvável.
Fazer exercícios sem almejar passarelas,
trabalhar sem almejar o estrelato,
amar sem almejar o eterno.
Olhe para o relógio: hora de acordar.
É importante pensar-se ao extremo,
buscar lá dentro o que nos mobiliza,
instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente.
A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites
é quem leva o prêmio.
Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade.
Se a meta está alta demais, reduza-a.
Se você não está de acordo com as regras, demita-se.
Invente seu próprio jogo.
Faça o que for necessário para ser feliz.
Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples,
você pode encontrá-la e deixá-la ir embora
por não perceber sua simplicidade.
Ela transmite paz e não sentimentos fortes,
que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração.
Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade."


[por Caio Fernando Abreu]


"É difícil me iludir,
porque não costumo esperar muito de ninguém.
Odeio dois beijinhos, aperto de mão, tumulto,
calor, gente burra e quem não sabe mentir direito.
Não puxo saco de ninguém,
detesto que puxem meu saco também.
Não faço amizades por conveniência,
não sei rir se não estou achando graça."

terça-feira, 27 de julho de 2010

Travessia

[por Soriedem R. Belga Mota]




De todo o amargor e ranço das respostas já experimentadas,
nenhuma delas feriu ou sangrou tanta tristeza quanto
a ausência daquela pela qual ainda espero.


domingo, 25 de julho de 2010

domingo, 18 de julho de 2010

Mais uma inefável

[por Soriedem R. Belga Mota]



Não penso, não pondero, não meço.
Oscilo entre círculos e retas tentando perfazer a trajetória ideal.
É de uma inquietação nervosa que me consome a racionalidade.
É novidade em excesso.
Assusta, agita, amedronta, anima.
Faz sentido?
Nenhum!
E nada importa.
Nenhuma incongruência parece inválida.
É estranho, admito, mas ainda mais estranho é achar
(com facilidade) a coerência das conversas desconexas,
apesar da notória insensatez vigente.
Ah! E quão deliciosas são as todas as sandices de
um coração que se apaixona...

(E permancem as minhas vontades)


sábado, 12 de junho de 2010

Felicidade



[por Soriedem R. Belga Mota]

 

Utopia.
Um sonho infante.
O fim do arco-íris.
O anil.
Tão belo quanto inalcançável/intangível.



segunda-feira, 31 de maio de 2010

Humanocêntricos

[por Soriedem R. Belga Mota]


Admito que sou um ser causa mal estar.
Admito que me importo menos que o "normal" com isso.
Admito que, ainda que não queira, ainda me importo, 
embora menos que o "normal", com o Inferno de Sartre. 
Não importa o quanto eu negue, não há como escapar Dele.
Admito que sou ciente da estranhezas dessas repetições
e da viciosa metalinguaguem (com pitadinhas não menos 
estranhogistas de neologezas)  


Mas se (e/ou quando) causo desafetos é porque sou 
consciente de meu desajuste e não o reprimo 
(nem mesmo me esforço) ao cumprir a obrigação 
de fazer parte do mosaico incongruente da coisa 
humanóide amorfa (que se quer passar por obra de arte,
vejam só quanto egocentrismo desses macacos engravatados)
que não é (e nunca foi) coletivo, mas só um bando de 
peças solitárias ajuntadas no mesmo círculo.


Não sou um monstro.
Tenho sim sentimentos; até nobres se querem saber.
Mas não os vendo, não os forjo.
Aaaaaa que saco isso de ser sempre sorrisos e 
agradablidilade de supermercado (alias, mercado
é POP, falemos de Shopping Centers; 
soo much more cool.)
Hunf... Sempre, sempre, sempre mais do mesmo,
caros tolos, meus iguais, parceiros legionários.


Não sou muita coisa, mas sei o quanto sou.
E sou bastate orgulhosa. 
E grito bastante alto meu orgulho e auto-apreço. 
Sem vergonhas, oh, please, sem malícias também, ok?!


Odeio humanóides hipócritas e fracos.
Odeio humanóides que não assumem sua dor, sua ira, seu amor.
Odeio humanóides normais, iguais, superficiais.
Odeio previsibilidade/passividade/homogeneidade.
Odeio a vida ensaiada e os discursos corretos.
Odeio aqueles que não apreendem se eu falo além do rasteiro.
Odeio aqueles que me pedem para não falar, para apenas imitar.
Odeio o não pensar.
Odeio quem tem medo de odiar.
Odeio os humanóides.
Amo os humanos.


[Obra de Luís Duro, Hipocrisia da Fome]

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Apesar de mim

[por Soriedem R. Belga Mota]


Já confessei não ser poeta da escrita, mas sei sentir.
E sinto bastante e sinto realmente.
E hoje senti e senti diferente.
Acordar cedo, tanto a fazer em tão pouco tempo.
Todas as preocupações.

Enfim, o Sol não me parecia começar muito feliz, mas o dia...
Ah, ele sempre reserva seus pequenos e inusitados milagres
para aqueles que os sabem enxergar.
A começar por um bom dia despretensioso, vindo de bem longe,
por motivo nenhum, assim bem simples e não menos especial.
Um esbarrão com um velho e sumido amigo a me presentear com
o abraço de aniversário atrasado.
Zuca que me chama e diz
“Minha rosa, você é tão especial. Meu coração enxerga você como filha.
Deus abençoe”.  
O som recentemente apreciado da Gadu,
que releva que o que for pra ser há de vigorar.
Em suma, esperança.
Por mais que não tenha sido um começar muito festivo,
agora estou em prece de agradecimento aos benevolentes
Ventos que tão generosamente acalentam meu ser e acolhem meus passos.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Ainda não há nada de verdadeiramente meu, mas como já questionavam os legionários:
"quais as palavras que nunca são ditas? "




Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. 
A mim 
não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e
agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, 
só sendo louco.
Quero os santos, para que
não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela
alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim:
metade bobeira, metade seriedade
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, 

mas lutam para que a fantasia não desapareça. 
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; 

e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, 

nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.
[por Oscar Wilde]

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Homenagem

Àquele que não gosta de exposição,
que se faz anônimo com o mesmo nome que o expõe.
Ao menino Escondido, que me cativou ainda mais ao tear tão afetuosas palavras:




" A desadequação temporal não é a única que nos aflige
Estou preso a um passado cinzento de palavras entulhadas
Mas são delas que me valho para superar o Estige
Nelas subo para vencer a distância de seu sorriso"
(...)

"Cosi no tear das palavras
Versos censurados e emudecidos
Pus em meus lábios uma aldrava
Para evitar um monólogo enternecido"
(...)

"Perguntas se são para ti as loas que fio
Afirmo-lhe com convicção: Não poderiam ser de outrem!
Foste tu quem mantiveste meu coração sem frio
És terna musa, کoriedem 



" [por Yamãnu B.]